· 5 min de leitura formatotécnico

O que tem dentro de um arquivo CDR? Estrutura do formato

Desde o X4 o .cdr é um pacote ZIP. Dá para abrir, olhar e entender exatamente onde o CorelDRAW guarda o número da versão, e por que mexer nele funciona.

Um .cdr das versões X4 em diante não é um blob opaco: é um pacote ZIP com uma estrutura de pastas dentro. Renomeie uma cópia para .zip, abra no explorador de arquivos e você vê o desenho desmontado em pedaços. É assim que dá para descobrir a versão de um arquivo sem abrir o CorelDRAW, e é por isso que reescrever essa versão é possível.

Vale para X4 e posteriores. Arquivos do X3 e anteriores são RIFF puro, um formato binário antigo sem ZIP em volta. Esses abrem em qualquer versão moderna e não são problema.

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O que tem lá dentro

Um .cdr recente, aberto como ZIP, se parece com isto:

mimetype
content/
  root.dat
  data/
metadata/
  thumbnail.png
META-INF/
  metadata.xml
styles/
  document.cdss
  • mimetype: uma linha de texto identificando o pacote: application/x-vnd.corel.zcf.draw.document+zip. Fica gravado sem compressão, como manda o formato ZCF que a Corel usa.
  • content/root.dat: o desenho de verdade, em formato RIFF. É o pedaço grande.
  • metadata/: a miniatura que o Windows mostra no explorador, entre outras coisas. É ela que o visualizador do CDRfix exibe no instante em que você solta o arquivo, antes de qualquer upload.
  • META-INF/metadata.xml: quem criou, quando, com qual versão.
  • styles/document.cdss: estilos e definições do documento, em JSON.

Onde a versão fica escrita

O número da versão aparece em três lugares, e o CorelDRAW olha para eles antes de tentar desenhar qualquer coisa.

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1. O header RIFF do content/root.dat

RIFF é um formato de blocos: quatro letras identificando o bloco, o tamanho, o conteúdo. O arquivo começa com RIFF, seguido do tamanho e de um código de quatro letras, o form, que diz de que tipo de RIFF se trata. Nos .cdr esse código muda a cada versão:

Form Versão
CDRR CorelDRAW 2023
CDRT CorelDRAW 2024
CDRU CorelDRAW 2025

Logo depois vêm os blocos fver e vrsn, que trazem o número interno da versão (2500, 2600, 2700) em campos de 16 bits. Na prática o CorelDRAW confia mais no vrsn do que no form, mas manter os dois coerentes evita recusa na abertura. A tabela completa de versões vai do X6 ao 2025.

2. O "version" do styles/document.cdss

Um JSON com um campo "version": 2700 no começo. Direto ao ponto.

3. O CoreVersion / AppVersion do META-INF/metadata.xml

Aqui mora uma pegadinha: o número pode estar gravado como 2700 ou como 27.0, dependendo do campo. Reescrever no formato errado, pôr 25.0 onde havia 2700, faz o CorelDRAW recusar o arquivo mesmo com todo o resto certo. Quem for mexer na mão precisa manter o formato original.

O que o conversor de versão faz

O conversor de versão abre o ZIP, reescreve esses três pontos para a versão que você escolheu e monta um pacote novo com todo o resto byte a byte igual, inclusive o mimetype sem compressão, que é o detalhe que mais gente esquece ao remontar o pacote na mão. Se o arquivo estiver corrompido, consulte nosso guia sobre como recuperar arquivo CDR corrompido.

O que sai é o mesmo desenho, declarando ser de outra versão. O CorelDRAW antigo então aceita abrir, porque o número que ele checa agora é menor ou igual ao dele.

Por que isso não é mágica

Reescrever a declaração não converte o conteúdo. Se o desenho contém um objeto que só existe na versão nova (certos preenchimentos, sombras, efeitos de perspectiva, tipos de transparência), a versão antiga vai abrir o arquivo e encontrar uma estrutura que não conhece. Aí ela faz uma de três coisas: ignora o objeto, desenha uma aproximação, ou avisa que o arquivo tem partes que não pôde ler.

Por isso a chance de sucesso cai com a distância:

  • Uma ou duas versões para trás: quase sempre abre íntegro. É o caso da maioria absoluta dos arquivos, que usam recursos que existem há anos.
  • Três a cinco versões: costuma abrir; vale conferir o desenho antes de mandar para produção.
  • Muito mais que isso: o formato interno mudou demais. Melhor pedir um PDF gerado pelo conversor de CDR para PDF.

O caminho oficial, quando ele existe

Se você tem acesso a uma máquina com a versão nova, a conversão de verdade é um Salvar como com a versão escolhida na caixa de diálogo: o próprio CorelDRAW reescreve o desenho, adaptando ou descartando o que não cabe no formato antigo, e o resultado é um arquivo legítimo daquela versão. Nenhum patch de header chega perto disso em fidelidade.

O patch existe justamente para quando esse acesso não existe, e nesse caso ele resolve a maior parte dos problemas do dia a dia.

Perguntas frequentes sobre o formato CDR

Posso extrair imagens de um arquivo CDR renomeando para .zip?

Sim. Em arquivos do CorelDRAW X4 em diante, basta renomear a extensão .cdr para .zip e descompactar a pasta. Dentro dos diretórios metadata/ e content/data/, você encontrará a miniatura de pré-visualização e todas as imagens bitmap incorporadas em sua resolução original sem perda de qualidade.

O que é o arquivo root.dat dentro do pacote ZIP do CDR?

O arquivo content/root.dat é o núcleo vetorial do documento. Ele utiliza a estrutura binária RIFF (Resource Interchange File Format) e armazena todas as curvas Bézier, nós, coordenadas matemáticas, camadas e preenchimentos criados no CorelDRAW.

Por que arquivos do CorelDRAW X3 ou anteriores não abrem como ZIP?

Do CorelDRAW 1 até a versão X3 (versão 13), o CDR era um arquivo binário RIFF monolítico sem qualquer compressão ZIP externa. A Corel só adotou o contêiner ZIP baseado no padrão aberto ZCF a partir da versão X4 (versão 14).

É seguro editar o número da versão do CDR manualmente?

Se fizer em uma cópia, sim. No entanto, qualquer erro de sintaxe XML no metadata.xml, alteração incorreta de 16 bits no RIFF ou recompressão do arquivo mimetype (que deve ficar obrigatoriamente sem compressão) corromperá o arquivo. Nosso conversor de versão do Corel automatiza esse processo de forma 100% segura.

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